O falso bloqueio.

Começou. Domingo passado eu senti uma dor tão forte que corri no cardiologista de plantão e ele disse em alto e bom som que eu tinha uma coisa chamada bloqueio no ramo direito do coração. Eu sabia, sempre soube que meu coração era bloqueado, é de nascença, não se formou com o tempo, nem com as intempéries que ele teve que passar. Durante a semana, a semana que precedeu essa minha semana deliciosa, eu pensei em mil coisas que poderiam me acontecer caso meu problema, literal, de coração, fosse mais grave do que eu estava acostumada. Ontem eu fiz outra consulta e o médico me disse que esse bloqueio, que seria normal, “não chega a ser assim, um bloqueio, sabe?!”. Ufa. Não sou uma pessoa que carrega problemas como se fosse uma bolsa Prada original, um troféu, logo meu bloqueio ia ficar logo de escanteio, se não fosse o fato de que ele mesmo nem existe. Meu coração é saudável, mas preciso fazer exercícios, regularmente. Para o coração eu tenho afastado as pessoas carregadas (como as que ostentam os problemas como se fosse uma bolsa Prada) e me aproximado de pessoas, assim como eu, desbloqueadas. Aí entra a parte dessa história que eu mais gosto: eu ganhei um coração novo, zerado, novinho em folha, limpo e pronto para bombear saúde. Meu novo coração veio numa manhã de Carnaval, com o céu muito nublado e quatro grandes confirmações de quão saudável somos nós. Estou pronta, pode começar.