Mês: dezembro 2015

Sobre Star Wars: o primeiro e o último.

Duas coisas eu aprendi vendo filmes esta semana: um filme precisa do telespectador para acontecer e, assim como nos livros, a cada assistida, há um espectador diferente. Neste final de semana assisti a dois filmes da franquia Star Wars: O Despertar da Força (2015) e Uma Nova Esperança (1977). Fui parar no cinema por que este ano decidi não comemorar meu aniversário da forma tradicional e o único filme interessante em cartaz era o sétimo episódio da saga Star Wars. Confesso que fui movida pela imparcialidade e curiosidade. Ao contrário dos fidedignos fãs, não havia uma gota de ansiedade na minha pessoa para encontrar Harrison Ford interpretando o mesmo personagem muitos anos depois. A curiosidade sobre o “feitiço Darth Vader e companhia” me deixou empolgada. Eu não sabia absolutamente nada sobre a história e demorei um pouco a entender o próprio filme, mas a intenção de ser enfeitiçada pelos personagens estava presente o tempo todo na minha poltrona. (A partir desse ponto o texto contém spoilers!) Achei o filme bem legal, mas não me emocionei na última cena como as pessoas ao meu lado. Saí do cinema buscando mais e corri para o Internet Movie Data Base como faço toda vez que termino de assistir um filme. No dia seguinte recebi a visita de uma amiga que, coincidentemente estava naquela mesma sessão. Ela me falou que estava assistindo ao filme pela segunda vez. Conversei com ela sobre a minha necessidade de encontrar algum tutorial ou um vídeo de 5 minutos que explicasse tudo, sem eu ter que assistir a todos os seis filmes anteriores. Ela me deu uma rápida aula e eu continuei sem entender nada. Luz vermelha, luz azul, sons exóticos, linguagens bizarras, robôs e criaturas. Quem era pai de quem, quem teve filho com quem, que era o tal Luke Skywalker, quem são todos aqueles bonecos dos meus sobrinhos (que eu já conheço de nome, mas não entendo suas participações na trama) enfim, só constatei que, para compreender tudo, para me envolver, ser seduzida, tocada, etc, eu teria que assistir aos filmes na ordem em que foram lançados. Isso eu entendi de primeira, por que lembro claramente de ter ido ao cinema, nos idos de 1999, com a mesma curiosidade, conhecer o tão aguardado Episódio I, o quarto a ser lançado. Do meu primeiro contato com Star Wars só me recordo de ter me apaixonado por Natalie Portman. Isso foi alguns anos antes de Closer (2004). Eu só pensava como poderia ter alguém no mundo com aquele rosto. Eu só me lembro disto e de que o cinema do shopping era bem legal nessa época. Seguindo o conselho de minha amiga, fã de Star Wars, comecei a minha própria saga na compreensão da história. Hoje criei coragem e, depois de uma tentativa frustrada na semana passada por motivo de sono, assisti Uma Nova Esperança (1977), o quarto episódio e primeiro a ser lançado. Foi muito bom entender como os personagens criados há quase quarenta anos continuam jovens. Tive muita paciência em esquecer os efeitos especiais ultrapassados para os dias atuais, mesmo compreendendo sua significância para a história do cinema. Gostei do humor, do figurino e do fato de voltar no tempo. Tenho esse problema com o passado, ele me encanta principalmente no cinema. Amei os drapeados da Princesa Leia, quero me vestir igual a ela qualquer dia. Estou contando as horas para assistir o próximo episódio da saga.