A história de uma estampa: Pescaria.

PescariaKraftPeq

Um tema recorrente nas minhas fotografias de praia é a vida de um pescador do mar. Além de todos os sentimentos ligados a essa que é uma das profissões mais antigas que se tem notícia, o labor do pescado sempre rende cores e texturas além do imaginável. Minhas observações são sempre da praia. Nunca adentrei o mar numa canoa de pescador, mas sempre observo quando algo relacionado a ela surge no meu caminho.

A Estampa Pescaria é o registro de uma casinha de pescador na Praia do Patacho, no litoral norte do Estado de Alagoas. As cores e texturas pela madeira envelhecida e o desbotado da tinta desgastada pelo tempo são uma estampa pronta! Quando eu a fotografei não imaginava! Fiz essa sequência em junho de 2015 quando viajamos para comemorar um dia dos namorados e somente no final de 2016 resolvi transformá-la em estampa.

 

Então, depois de criada a estampa, inseri nos modelos e confeccionei em várias bases diferentes: cetim, crepe, neoprene, malha, etc. O resultado ficou incrível! Em cada peça valorizo uma parte diferente da estampa, que ainda conta com cadeados enferrujados que fazem as vezes de cintos estampados.

 

 

Amei esse trabalho! Autoria pra mim, é alto ria!

As fotos dessa coleção você encontra aqui.

ph: @dekolira | modelo: @joanagneta | acessórios: @jorgebischoffteresina | locação: @saccaroteresina | produção: @paty_css e @yurii_ribeiro |

Por onde Andei | Exposição Paulo Bruscky

PauloBruscky20170104_162843

Sempre que saio de Teresina eu procuro fazer programações culturais que agreguem ao meu crescimento pessoal. Quando vou a Recife é sempre muito corrido por causa da família, mas sempre encontro duas horinhas para fazer um passeio diferente. Como não havia pesquisado nada, fui direto na Caixa Cultural de Recife por que é certeza de ter boas exposições. Em 2015, pude conferir a exposição do artista português Vhils, inclusive falei sobre ela aqui. E agora, em janeiro, pude conhecer a exposição Palarva, do artista pernambucano Paulo Bruscky.

Paulo Bruscky, nasceu em 1949, no Recife e é considerado uma das figuras centrais da poesia experimental brasileira. Sou apaixonada pelas palavras e quando essas se unem à arte produzem as mais encantadoras interações. Quando eu cheguei em casa, meu sogro ainda me disse que havia estudado com Paulo Bruscky na escola. Recife é cheia de boas surpresas, hein?! Separei algumas das muitas imagens que fiz na exposição para compartilhar.

 

O que eu mais gosto numa exposição, num livro ou filme, é a certeza de que as percepções serão sempre diferentes. O que eu absorvi desse trabalho pouco coincide com o que as outras pessoas absorvem. Sempre faço esse exercício de reflexão com o meu marido, que é quem sempre me acompanha nesses passeios. Gosto de observar o que ele sente em relação às obras que visitamos juntos. Não somos parecidos, embora olhemos para o mesmo lado. É assim na vida e na arte. O resultado é incrível!

20170104_162628

Dois Mil e Deus é Certo!

Dois Mil e Dezessete Deus é Certo.

Esse não é um texto de gratidão. É um texto documental, para que eu não esqueça que sobrevivi ao turbilhão de emoções que eu senti em dois mil e dezesseis.

Dois mil e dezesseis foi de longe o pior ano da minha vida. Não tive muitos momentos ruins na minha vida (graças a Deus!) e tenho certeza de que os meus problemas são infinitamente menores do que os problemas da grande maioria do mundo, mas preciso exercitar o meu direito de sentir esse pesar. E eu tenho um pesar enorme pelo o que dois mil e dezesseis fez comigo. Dois mil de dezesseis foi o ano do erro. Tudo que poderia dar errado no ano passado deu. Deveriam existir vários Murphys para explicar todos os erros. Eu errei como filha, como esposa, como irmã, como amiga, como professora, como gestora e como designer, várias vezes. Eu errei todas as vezes em que não acreditei em mim, na minha capacidade, na minha sorte e na força do meu pensamento. E então as pessoas erraram comigo. Acho que todas as pessoas do mundo resolveram errar comigo, de erros ínfimos à destruição em massa de sentimentos que foram cultivados ao longo de longos trinta e poucos anos. Uma terrível sucessão de erros que massacram profundamente a veia otimista por onde corria a minha alma. Em dois mil e dezesseis até ligar a tevê foi um erro. Desgraça e tragédia, discórdia e intolerância, violência e miséria a níveis insuportáveis até para quem cresceu assistindo as dores do mundo se multiplicarem. Até os filmes lançados em dezesseis foram ruins. Não lembro sequer de algum filme do ano passado que tenha grudado na minha cabeça. Aos poucos estou esquecendo o dezesseis e juntando meus cacos para encarar o dezessete. Sou supersticiosa e acredito muito na virada da folhinha do calendário. Resolvi fazer tudo ao contrário no começo do ano novo. Para minha saúde mental, espiritual e até física resolvi me ausentar de mim mesma. Dei férias coletivas no trabalho, eliminei energias ruins que me circundavam e estou sacudindo diariamente a casa mais do que o raio que caiu aqui no prédio da frente ontem. Aliás, eu já levei o susto da vida na primeira quinzena de dezessete, justamente no dia em que eu comecei a escrever esse texto reclamando da vida. Seria um presságio? Seria oficialmente o fim do ano passado? Pode ser que tenha sido um sinal de “cala a boca, mal agradecida” ou de “se prepara que lá vem mais bomba”, mas a verdade é que eu costumava ser bem diferente nas viradas de ano anteriores. Aqui na minha casa, desde cedo fomos trabalhadas na autoestima nível cem, mas com o passar dos anos ela foi definhando. Em dezesseis eu comecei a procurar um novo sentido na vida, por que colocar o trabalho em primeiro lugar até deu certo em anos anteriores, mas ultimamente não tem me feito tão bem. Estou pronta para explorar outras áreas da minha vida, mas é como se os meus pés estivessem paralisados. Estou parada no meio de mim. Uma parte quer voltar quinze casas e começar de novo, outra parte quer avançar só para dar uma espiada nas casas seguintes e ver se vale a pena tomar algumas decisões agora. Deixei de ser a coach de mim mesma, de todas as Ritas anteriores e assumi a posição de espectadora do meu próprio roteiro. Dois mil e dezesseis fez isso comigo e isso está errado. O que me leva a crer, respeitando a minha natureza cíclica, que dois mil e dezessete será o ano do acerto. Ou será o ano do certo ou será o ano de acerto comigo mesmo, já que eu errei tanto e me debrucei tanto sobre essa corrente de erros. Eu juro, essa será a última vez que falamos sobre a sua maré, Dezesseis! Em dois mil e dezessete voltarei a acreditar na minha capacidade, na força do meu pensamento e voltarei a ser a dona da minha sorte. Em dois mil e dezessete, dois mil e Deus é certo!