Dois Mil e Dezessete Deus é Certo.

Esse não é um texto de gratidão. É um texto documental, para que eu não esqueça que sobrevivi ao turbilhão de emoções que eu senti em dois mil e dezesseis.

Dois mil e dezesseis foi de longe o pior ano da minha vida. Não tive muitos momentos ruins na minha vida (graças a Deus!) e tenho certeza de que os meus problemas são infinitamente menores do que os problemas da grande maioria do mundo, mas preciso exercitar o meu direito de sentir esse pesar. E eu tenho um pesar enorme pelo o que dois mil e dezesseis fez comigo. Dois mil de dezesseis foi o ano do erro. Tudo que poderia dar errado no ano passado deu. Deveriam existir vários Murphys para explicar todos os erros. Eu errei como filha, como esposa, como irmã, como amiga, como professora, como gestora e como designer, várias vezes. Eu errei todas as vezes em que não acreditei em mim, na minha capacidade, na minha sorte e na força do meu pensamento. E então as pessoas erraram comigo. Acho que todas as pessoas do mundo resolveram errar comigo, de erros ínfimos à destruição em massa de sentimentos que foram cultivados ao longo de longos trinta e poucos anos. Uma terrível sucessão de erros que massacram profundamente a veia otimista por onde corria a minha alma. Em dois mil e dezesseis até ligar a tevê foi um erro. Desgraça e tragédia, discórdia e intolerância, violência e miséria a níveis insuportáveis até para quem cresceu assistindo as dores do mundo se multiplicarem. Até os filmes lançados em dezesseis foram ruins. Não lembro sequer de algum filme do ano passado que tenha grudado na minha cabeça. Aos poucos estou esquecendo o dezesseis e juntando meus cacos para encarar o dezessete. Sou supersticiosa e acredito muito na virada da folhinha do calendário. Resolvi fazer tudo ao contrário no começo do ano novo. Para minha saúde mental, espiritual e até física resolvi me ausentar de mim mesma. Dei férias coletivas no trabalho, eliminei energias ruins que me circundavam e estou sacudindo diariamente a casa mais do que o raio que caiu aqui no prédio da frente ontem. Aliás, eu já levei o susto da vida na primeira quinzena de dezessete, justamente no dia em que eu comecei a escrever esse texto reclamando da vida. Seria um presságio? Seria oficialmente o fim do ano passado? Pode ser que tenha sido um sinal de “cala a boca, mal agradecida” ou de “se prepara que lá vem mais bomba”, mas a verdade é que eu costumava ser bem diferente nas viradas de ano anteriores. Aqui na minha casa, desde cedo fomos trabalhadas na autoestima nível cem, mas com o passar dos anos ela foi definhando. Em dezesseis eu comecei a procurar um novo sentido na vida, por que colocar o trabalho em primeiro lugar até deu certo em anos anteriores, mas ultimamente não tem me feito tão bem. Estou pronta para explorar outras áreas da minha vida, mas é como se os meus pés estivessem paralisados. Estou parada no meio de mim. Uma parte quer voltar quinze casas e começar de novo, outra parte quer avançar só para dar uma espiada nas casas seguintes e ver se vale a pena tomar algumas decisões agora. Deixei de ser a coach de mim mesma, de todas as Ritas anteriores e assumi a posição de espectadora do meu próprio roteiro. Dois mil e dezesseis fez isso comigo e isso está errado. O que me leva a crer, respeitando a minha natureza cíclica, que dois mil e dezessete será o ano do acerto. Ou será o ano do certo ou será o ano de acerto comigo mesmo, já que eu errei tanto e me debrucei tanto sobre essa corrente de erros. Eu juro, essa será a última vez que falamos sobre a sua maré, Dezesseis! Em dois mil e dezessete voltarei a acreditar na minha capacidade, na força do meu pensamento e voltarei a ser a dona da minha sorte. Em dois mil e dezessete, dois mil e Deus é certo!