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Foto tirada em 2011 para o Instagram.

Passei uns dias sem Instagram. A ideia era ter mais tempo no feriado para organizar coisas que insistem em ser adiadas, coisas de casa, nada sério. É que nada sério de verdade vem tomando o meu tempo, o nosso tempo, há sete anos. Quando eu comecei no Instagram, em 2010, foi para postar algumas fotos de uma viagem a Recife. Eu me apaixonei pela identidade social da nova rede, pelos filtros que remetiam a antigos filmes fotográficos e pela simples ideia de postar uma foto quadrada e mostrar para os amigos. Era tão legal quando tudo se resumia a fotos de comidas que antes eu postava no Twitter com a legenda “#servidos?”, depois vieram as selfies no espelho (do carro, do elevador e de todos os banheiros fotogênicos pelo caminho), aliás o termo #selfie – que rendeu à Kim Kardashian um icônico livro para a história da fotografia – avisem aos seus netos!, o termo “selfie” só pegou no Brasil cerca de dois anos depois. O Instagram começou a ficar sério quando eu comecei a postar o tal #lookdodia, algo que virou moda na rede social ainda em 2011. Eu já acompanhava coisas parecidas no Flickr – uma rede social super legal de fotografia – quando algumas gringas que eu seguia usavam um termo “Wardrobe Remix” para mostrar o que hoje a gente chama com propriedade de “look”. Em 2011 eu já ia fazer quatro anos de Atelier e já não usava mais Orkut e sim Facebook como ferramenta de venda para o resto do país. Não preciso dizer o quanto o “look do dia” me ajudou a vender as peças produzidas no Atelier. Aliás, o único motivo pelo qual eu ainda estou no Instagram é o meu trabalho com a Moda. O Instagram passou a ser uma ferramenta de Moda. Para mim, a exposição de todas as coisas que eu gosto, através das fotos que eu tiro, dos lugares que frequento, das pessoas com as quais eu me relaciono e até dos livros que eu leio, só tem um sentido: comunicar a identidade da minha marca. Através das redes eu comunico a identidade da minha marca que durante todos esses anos, tem trabalhado para atingir o público que compartilha das mesmas referências, desejos e anseios que eu. Mas às vezes o tiro sai pela culatra. Nessa ânsia de comunicação eu tenho que expor a mim mesma e o preço, na maioria das vezes, são confuso demais para minha cabeça. Eu explico: quanto mais eu consumo os perfis do Instagram, mas eu fico confusa quanto a mim mesma. No começo eu encontrei entre cem e duzentas pessoas/perfis interessantes para acompanhar por motivos diversos como: fotografias bonitas, roupas legais, artistas interessantes, lugares que eu pretendia conhecer etc. Mas depois essa lista foi crescendo exponencialmente até que eu não desse mais conta de acompanhar durante os meus vinte minutos na cama antes de dormir. De repente o mundo ficou interessante demais, bonito demais, rico demais, com a pele boa demais, com o corpo malhado demais e vivendo coisas espetaculares demais todo dia. E eu comecei a me sentir menos. Hoje eu sigo cerca de 1500 perfis que eu desejo reduzir aos mesmos 200 do começo por que a velocidade das demasiadas experiências postadas no meu dia têm enchido o meu saco. Não só o meu saco, mas a memória de todos os aparelhos celulares defasados que eu tenho tido nos últimos sete anos, a bateria deles e o item mais importante de todos: o meu precioso tempo. Esses dias eu soube que, nós brasileiros, gastamos em média três horas por dia olhando para o celular e, eu acredito que duas dessas horas, nós passamos no Instagram. Somos o 3º. país mais desesperado no ranking mundial. Estou nessa estatística. Conheço pessoas que não estão e as admiro muito, quero ser como elas. Não me considero viciada, mas me vejo como uma dependente dessa relação e isso é muito chato. Por vezes me peguei tirando fotos em viagens pensando nas legendas e até em alguns comentários recebidos. Outras vezes, eu confesso com vergonha, chateada por que quase não “curtiram” minha boa luz, uma fotografia inspirada. Para muitas pessoas o “Insta” continua sendo aquele amigo legal, aquele mesmo do começo de sua existência para mim. As redes nos distanciaram das pessoas de verdade para nos aproximar das pessoas de… bom, eu não usaria esse termo, mas talvez seja a “meia verdade”, aquela que a gente quer fazer com que seja verdade e meia. Afinal, poucas pessoas que eu conheço têm a coragem de dizer que o seu dia foi difícil, que deu tudo errado ou que sua vida está uma m#rda no Instagram. Quanto a mim, estou consciente da reação que uma postagem provoca na vida das pessoas, das melhores as piores. Dos sentimentos mais entusiasmados aos mais vis. Nunca é tarde para aprender a dominar o indomável. Esses dias ausentes e o fato de ninguém ter me questionado a respeito, me fizeram refletir sobre a importância que damos as coisas que são colocadas em nossas vidas. Eu poderia ter feito essa reflexão e sua consequente mudança sem escrever nada à respeito, mas a possibilidade de ajudar na libertação de  alguém que sinta a mesma angustia que eu, é motivador! E essa minha característica, Insta, você não vai me fazer esquecer nem por um minuto!