Refilar por Patrícia Costa.

Hoje no meu trabalho eu estava refilando algumas camisetas. Para quem não conhece o termo, refilar faz parte de um processo de acabamento, significa retirar os excessos. No caso das camisetas, quando não refilamos as barras, esses excessos ficam enrolados e formam um volume desnecessário, ou até mesmo desfiam e, esteticamente, fica feio. Mesmo que seja no lado do avesso, é preciso refilar, não dá simplesmente para fingir que não há nada demais ali, uma hora ou outra alguém vai perceber que aquilo não está bem acabado. Esse processo me fez refletir sobre as nossas vidas e nossos relacionamentos. Amigos, famílias, cônjuges, tudo isso precisa ser refilado constantemente para pode ficar bonito sempre. Conheço tantas histórias de pessoas que preferiram fazer de conta que os excessos não estavam afetando a relação e simplesmente ignoraram que precisavam ser aparados… Não houve nenhuma ação, a relação ficou enrolada e foi desfiando até ficar feia e ser esquecida. No caso das camisetas, usamos tesoura. No caso das pessoas, que tal a conversa? Por que hoje em dia conversar ficou tão difícil? Por que hoje em dia é mais fácil caminhar com o orgulho do que seguir de mãos dadas com as pessoas? Por que é mais fácil tirar conclusões precipitadas ao invés de PERGUNTAR? Muitas pessoas se perdem umas das outras com tanta facilidade…
Somos todos os dias camisetas com nossas bainhas necessitando de um refilamento. Todos os dias acordamos diferentes. Todos os dias sentimos coisas diferentes. Todos os dias depositamos nossas esperanças em alguma coisa. Todos os dias são uma surpresa. Todos os dias temos que ter vontade de manter nossas relações, porque ninguém é fácil, mas a maioria das pessoas vale muito o esforço.
E, voltando ao processo das camisetas, depois de refiladas elas vão ser passadas e, para seguirem em bom estado por muuuito tempo, é preciso seguir a etiqueta de composição, que vem informando como deve ser o processo de limpeza delas. Bem, na vida não temos etiquetas informando como devemos tratar as pessoas que encontramos no nosso caminho e que temos na nossa vida, mas uma coisa é certa, é preciso ter muita vontade de fazer sempre o bem a elas e amá-las como a nós mesmos, intensamente, porque até mesmo se cada um de nós viéssemos com instruções, haveria gente errando, tendo preguiça de ler ou fazendo o contrário pelo simples fato de querer, afinal já conheci gente que sabia que não podia colocar determinada camiseta na máquina de lavar e foi lá e colocou mesmo assim, o que resultou em uma peça de roupa estragada, cheia de fiapos e sem cor. Foi parar no fundo do guarda roupa e está lá esquecida até hoje.

Patrícia Costa (@paty_css), a Paty do Atelier ou A risada mais gostosa do nosso dia de trabalho, todos os dias, todas as risadas.

#30diasdeLondres – Ep 16: Dias Intensos na Central St. Martins.

Eu demorei para postar, mas em compensação, está no ar um videozão que fiz durante minha imersão no curso de férias de Fashion Design na Central St. Martins, em Londres! Imersão por que durante cinco dias eu praticamente só respirei esse projeto, então, o único passeio do episódio foi pelos arredores do meu bairro, Kings Cross. Lá pelos arredores, descobri um projeto arquitetônico incrível que aproveita instalações de antigas estações de gás. Um passeio pela beira do Regent’s Canal pode ser surpreendente. Você pode encontrar, por exemplo, uma livraria-barco com músicos tocando jazz de graça. Toda a leveza do começo dessa que foi a semana mais punk, hardcore, metal da minha vida de estudante de Moda ultimamente. Mal vi o céu de Londres, dentro da Central Saint Martins tentando fazer o impossível para agradar os professores gringos. Desenhos, ilustrações, moulage, processo criativo, tudo junto e misturado num fascinante caos. Nesse episódio, todo o meu stress, misturado àquela comida louca da faculdade só poderiam estar ritmados por Under Pressure do Queen. Assistam, um beijo, R.

Anti-coleção [um amor antigo]

Aqui no Atelier nós sempre trabalhamos com transparência. Depois de seis meses pensando sobre lançarmos uma nova coleção, chegamos a conclusão que NÃO. Não estamos prontos! Não é o nosso melhor momento criativo, não é o melhor momento econômico e nem queremos fazê-lo por uma imposição comercial. Não encaramos a MODA dessa maneira. Nunca encaramos a ROUPA dessa forma! Não compartilhamos dessa loucura de novidades todo dia, toda hora, todo segundo. Não queremos vender, vender, vender e não pensar em vocês! Nós entendemos como o dinheiro de cada uma das nossas clientes é suado, por isso sempre fizemos roupas que durassem. Pelo tecido, pelo acabamento e também pelo DESIGN. Cada peça é pensada com carinho, zelo e RAZÃO. Estamos com muitas peças em nossas araras que não podem ser abandonadas simplesmente porque não foram feitas ontem. São AMORES ANTIGOS, têm seu valor e querem sair daqui para outros lugares. Por isso mesmo, porque a nossa roupa não tem prazo de validade, estamos vendendo tudo com DESCONTO. Nós somos CONTRA qualquer tipo de acúmulo. Quando estivermos prontas, lançaremos uma nova coleção, com novas ideias, novos temas e com a MESMA PAIXÃO pelo o que fazemos. Por enquanto, ainda estamos apaixonadas pelas antigas. E, se quiserem chamar essa compilação de uma coleção, que chame de [um amor antigo].

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