Estampa de Ipê – Parte 1.

Minha Gente, tenho uma coisa com Ipês. Nessa época do ano fico louca querendo fotografar tudo! Acho que sempre foi assim. Acho lindo o contraste das cores no meio da bagunça que é a cidade, o trânsito, os prédios, a vida. Um Ipê florido é uma poesia no meio do tempo. Não tem quem não se sensibilize. Quero mostrar para vocês algumas fotos e uma estampa que virou peças lindas da coleção Aragem. A coleção inteira foi elaborada com imagens do Piauí. Fiquei muito feliz com o resultado. Só elogios 😉

Estampa Ipe Blog

Com essa sessão fiz quatro peças: dois vestidos em malha fria, um top drapeado em cetim e uma saia plissada cuja estampa só aparece com a saia fechada – esta me deixou super feliz, em breve conto por quê!

Vestido Ipe Blog

Vestido Ipe Branco Blog

Saia e Top Ipe Blog

Duas fofas já postaram seus looks com as peças, vamos ver?

Clientes Ipe

Estas peças estão disponíveis sob medida. Para encomendá-las é só me mandar um email: rita@ritaprado.com.br. Algumas já estão na loja on line para quem quiser usar agora.

E aí? O que acharam das peças? Em breve posto as outras peças com uma nova sessão de fotos de Ipês.

IpeAmareloCetim

Projeto Identidade Local: Consultoria de Walter Rodrigues.

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Nessa minha nova fase, esporadicamente lançarei coleções. Esporadicamente mesmo. Do tipo só se der vontade. Se passar um vento muito forte e carregado de ideias harmoniosamente combináveis. O que não é raro de acontecer em gente que trabalha com criação. Mas este não será o meu foco. Tipo, espero a coleção me procurar e não o contrário, como tem acontecido ultimamente. Slow Fashion, um paradoxo que estou a fim de encarar, sobretudo no que diz respeito à parte ética da moda e à parte ética do meu umbigo. Em abril deste ano, quando decidi tomar esse rumo, Deus colocou uma pessoa fantástica na minha vida: o designer Walter Rodrigues. Deus e o SEBRAE, que me convidou para participar de um projeto incrível chamado Identidade Local. O projeto visa (tempo presente) explorar a potencialidades do nosso Estado na criação de produtos de design e artesanato, através da pesquisa no entorno e memória de cada empresa participante. Sou uma designer de memória, com uma pegada emocional, confesso. Mas a parte do entorno, na minha vida nunca foi explícita. Pelo contrário, nunca pensei em desenhar algo que falasse da minha região, de onde cresci, de onde passei todas as férias da minha infância. Nunca pensei em desenhar sobre o rio, sobre a minha casa, sobre o meu Piauí. E aí quando eu me afundava nas pesquisas nos meus álbuns de fotografia (hobbie às vezes deixado de lado pela correria do dia a dia), me aconteceu um “insight”: transformar em estampa fotografias das minhas recordações locais. Paralelamente a isso, em abril do ano passado fechamos um ciclo na minha família, que foi a primeira navegada do barco do meu pai, que eu contei aqui noutra ocasião. Essa foi uma das histórias mais inspiradoras da minha vida. E aí apareceu o Walter e para a minha surpresa, quando no nosso primeiro encontro na loja, eu apresentei as minhas imagens e as ideias que eu tinha para as peças, ele ficou encantado. É como se o guru da moda caísse de paraquedas no meio do meu pensamento e dissesse: Eureka! E foi assim e nos encontros seguinte acertamos sobre modelagens, tecidos, padronagens, sobre as famílias de roupas e sobre processos produtivos. A apresentação das peças se deu no começo do mês, na ocasião do Piauí Sampa, mas o trabalho em cima do que eu realmente quero/sou/estou continua intenso. Mais do que um trabalho, essa experiência foi a consagração de um projeto de autoconhecimento que começou ainda ano passado, quando passei quase um ano fora de casa e semanas inteiras vendo somente a mim, horas intermináveis conversando comigo mesma. A oportunidade de trabalhar e entender o processo criativo de um designer rico como o Walter não tem preço. Sou muito grata pelos ensinamentos e pela contribuição no meu trabalho e na minha vida. Posso dizer que realizei o sonho de muitos jovens designers que não fazem ideia de como o amor pelo trabalho nos aproxima.  A coleção já está no nosso álbum e aos poucos vou desmontando-a para explicar como seu deu cada peça e estampa.

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A primeira viagem do Aragem.

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Em abril do ano passado o veleiro Aragem sentiu o gosto d’gua pela primeira vez. Pra você que está chegando agora na minha vida, Aragem é o nome do barco que meu pai construiu no quintal de casa, literalmente. Eu já escrevi sobre ele no meu blog antigo. E hoje vim mostrar mais um pouquinho desse sonho.

Meu pai começou a construir o Aragem, seu terceiro barco, em março de 2004. Enquanto meu pai construía o Aragem eu me formei em Direito, eu passei no Exame da Ordem, eu criei o Atelier Rita Prado, eu fiz muitas amizades, eu me formei em Design de Moda. Enquanto meu pai fazia o barco eu conheci Ricardo, eu me perdi de Ricardo por quase três anos, eu reencontrei Ricardo, eu casei com Ricardo, eu fiz bodas de papel com Ricardo. Enquanto meu pai construía seu barco, eu construí a Rita Prado, a designer, a loja, o Atelier, a empresária, a patroa, a estudante de moda, a nossa marca. Muita coisa aconteceu na minha vida em oito anos, mas independente do que acontecesse, meu pai estava diariamente entretido em dar forma ao seu projeto de vida: um veleiro lindo e imponente chamado Aragem.

Eu estava morando em São Paulo quando foi definido o grande dia de tirar o Aragem do berço, para que ele andasse com as próprias pernas e sentisse pela primeira vez o gosto da água. Vim correndo e faltei aula do Mestrado por que não podia perder esse que era um dos momentos mais importantes da nossa família. Um sonho que se sonhou junto.

Absolutamente tudo foi planejado e organizado por ele e tivemos ajuda de familiares e amigos próximos, além de alguns transeuntes muito solidários que apareceram em alguns momentos para ajudar. Foi um sonho da família e de alguns anônimos que acompanharam sua construção pelo site. Tivemos que derrubar o muro da minha casa para que ele saísse e ganhasse o mundo e deu tudo perfeitamente certo.

O Aragem tomou o seu primeiro banho e banhou os olhos de quem por ali passava. Meu pai superou dois rios inavegáveis e a completa falta de estrutura ou apoio por parte de qualquer secretaria do meu Estado e da minha cidade, uma pena, um desafio. Um sonho que se sonha só e que se realiza a custo próprio. Esse gosto é genuíno e intenso, só quem vive é que sabe.

Separei algumas fotos desse dia inesquecível para minha família, não consigo sequer escrever sobre, enfim, dizem que imagens falam mais que palavras, então, vamos lá:

 

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Para mais fotos do primeiro dia do Aragem na água, você pode acessar meu Flickr ou o próprio site do Aragem, que é uma espécie de Diário de Construção do veleiro.

Editorial ♥ Cirque de la mode

Quando abri a Revista Estilo desse mês me deu uma saudade danada do catálogo maravilhoso que o Atelier fez no comecinho do ano passado numa tenda de Circo. Fotografei a linda Carol Perlingeiro que foi maquiada por Ramon Vale, numa tarde maravilhosa do mês de março. A Estilo trouxe a atriz Paola de Oliveira num editorial lindo de inverno pelas lentes do mágico Bob Wolfenson com o nome de Cirque de la mode. Vamos ver as semelhanças que me fizeram tanto lembrar desse trabalho e coleção maravilhosos?