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Anti-coleção [um amor antigo]

Aqui no Atelier nós sempre trabalhamos com transparência. Depois de seis meses pensando sobre lançarmos uma nova coleção, chegamos a conclusão que NÃO. Não estamos prontos! Não é o nosso melhor momento criativo, não é o melhor momento econômico e nem queremos fazê-lo por uma imposição comercial. Não encaramos a MODA dessa maneira. Nunca encaramos a ROUPA dessa forma! Não compartilhamos dessa loucura de novidades todo dia, toda hora, todo segundo. Não queremos vender, vender, vender e não pensar em vocês! Nós entendemos como o dinheiro de cada uma das nossas clientes é suado, por isso sempre fizemos roupas que durassem. Pelo tecido, pelo acabamento e também pelo DESIGN. Cada peça é pensada com carinho, zelo e RAZÃO. Estamos com muitas peças em nossas araras que não podem ser abandonadas simplesmente porque não foram feitas ontem. São AMORES ANTIGOS, têm seu valor e querem sair daqui para outros lugares. Por isso mesmo, porque a nossa roupa não tem prazo de validade, estamos vendendo tudo com DESCONTO. Nós somos CONTRA qualquer tipo de acúmulo. Quando estivermos prontas, lançaremos uma nova coleção, com novas ideias, novos temas e com a MESMA PAIXÃO pelo o que fazemos. Por enquanto, ainda estamos apaixonadas pelas antigas. E, se quiserem chamar essa compilação de uma coleção, que chame de [um amor antigo].

Para ver todas as peças disponíveis é só clicar aqui.

Sobre roupas, modas e afins.

Fazer roupas tem sido meu ofício desde 2007. Num dia quente do mês de setembro decidi que iria passar o resto da minha vida vestindo as pessoas. Nesse meio tempo já estudei sobre as mais diversas vertentes dessa escolha, tentando entender e justificá-la para mim e para o mundo. Não satisfeita em só fazer as roupas eu busquei compreendê-las. Por que elas foram criadas? Por que elas estão sempre sendo modificadas?  Por que mesmo não estando mais na Pré-História, imbuímos na roupa um caráter protetor (como se ela fosse nos proteger das intempéries da vida moderna)? Protegemo-nos com nossas roupas. Protegemo-nos do julgo sobre elas. Nos divertimos com os recortes, enfrentamos o predador espelho. Na teoria da moda, muitos caras tentam explicar o caráter social da roupa. Caras como um francês que eu gosto muito, vêm falar sobre o surgimento da moda e me persuadir que a moda e a roupa nem sempre andaram juntas. E não andam. Costumo dizer para as minhas clientes que eu faço roupa. Estou dentro de uma cadeia industrial de moda que me permite que eu crie, execute, divulgue e venda a minha roupa. Não quer dizer que eu esteja girando na ciranda da moda. Minhas referências podem vir de modas de outras épocas, das roupas que eram usadas, de tecidos ou de um modo de ser que não necessariamente condiz com o que estamos buscando agora. O que estamos buscando agora é, no meio da moda, chamado de tendência. De tempos em tempos (e tempos cada vez mais curtos) esses conceitos de beleza, comportamento e bem vestir se alteram. Às vezes eles vão e vêm com tanta rapidez que a gente ainda nem doou aquela peça considerada “fora de moda”. Tenho um apego extremo a todas as peças feitas por mim nesses oito anos como designer de moda. Tenho um orgulho gigante quando alguma cliente diz que ainda usa uma peça minha de cinco anos atrás. Tenho muita sorte de ter sobrevivido à instabilidade do comércio e de ter me segurado forte a cada achocalhada fashion. Minhas roupas me protegem. Minhas roupas me perpetuam.  Elas me espalham no tempo e espaço. A cada cliente que olha, deseja e leva alguma criação minha, é como se nos duas tivéssemos estabelecido uma relação de sintonia. Daí essas coisas (as roupas) passam a ser símbolos dessa relação, dessa sintonia, dessa identificação que eu chamo de Amor. Amo o que eu faço por que é um trabalho infinito. Ele dura mais do que os cinco ou sete anos que a cliente me guarda no armário, ele dura todas as lembranças de felicidade e prazer das horas em que mesmo, sem saber, estivemos juntas.