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Anti-coleção [um amor antigo]

Aqui no Atelier nós sempre trabalhamos com transparência. Depois de seis meses pensando sobre lançarmos uma nova coleção, chegamos a conclusão que NÃO. Não estamos prontos! Não é o nosso melhor momento criativo, não é o melhor momento econômico e nem queremos fazê-lo por uma imposição comercial. Não encaramos a MODA dessa maneira. Nunca encaramos a ROUPA dessa forma! Não compartilhamos dessa loucura de novidades todo dia, toda hora, todo segundo. Não queremos vender, vender, vender e não pensar em vocês! Nós entendemos como o dinheiro de cada uma das nossas clientes é suado, por isso sempre fizemos roupas que durassem. Pelo tecido, pelo acabamento e também pelo DESIGN. Cada peça é pensada com carinho, zelo e RAZÃO. Estamos com muitas peças em nossas araras que não podem ser abandonadas simplesmente porque não foram feitas ontem. São AMORES ANTIGOS, têm seu valor e querem sair daqui para outros lugares. Por isso mesmo, porque a nossa roupa não tem prazo de validade, estamos vendendo tudo com DESCONTO. Nós somos CONTRA qualquer tipo de acúmulo. Quando estivermos prontas, lançaremos uma nova coleção, com novas ideias, novos temas e com a MESMA PAIXÃO pelo o que fazemos. Por enquanto, ainda estamos apaixonadas pelas antigas. E, se quiserem chamar essa compilação de uma coleção, que chame de [um amor antigo].

Para ver todas as peças disponíveis é só clicar aqui.

fotografia de moda | editorial Jardin des Délices

Vim mostrar para vocês mais um editorial lindo! Dessa vez, o tema não poderia ter sido mais conveniente: cactos. Muitos!


O editorial “Jardin des Délices” da edição de setembro passado, da revista L’Officiel Suíça, traz a modelo Mariana Braga, em fotos de Adele Obice, styling de Anna Neretto, maquiagem de Ivona Milosevic e cabelo de Elena Gentile. As fotos estão lindas, o ambiente, perfeito, e têm tudo a ver com a Rita!

Gostaram?

Beijos! Patrícia Sousa.

 

eu carrego um sertão dentro de mim | gratidão

Eu recebi tanto Amor esses dias que ficou até complicado escolher alguma coisa para postar. Estou esperando as fotos oficiais do evento #piauimodahouse, onde apresentei uma mini-coleção para falar mais. Por enquanto, quero agradecer a todas as manifestações de carinho e pela torcida. Meu coração está radiante! Vou colar o texto que postei no Insta logo após o evento e estou fazendo um apanhado de algumas das muitas mensagens legais que recebi para mostrar! Tudo isso dignifica a minha existência e justifica o meu trabalho.

Hoje o meu principal sentimento é a gratidão. Antes de qualquer coisa que eu fale eu preciso agradecer algumas pessoas: MINHA MÃE, minha vida, meu guru, meu braço direito, a melhor MODELISTA do mundo, que com muito cuidado abraçou um sonho que não era o dela e faz pelo meu trabalho aquilo que até eu mesma não faria; meu PAI por pintar a mão cada uma das 85 aquarelas que fora distribuídas com os convites; minhas COLABORADORAS que, com muito empenho e dedicação costuraram cada uma das dez peças que foram para a passarela ontem; PATY, minha fiel escudeira pelo trabalho, companhia, carinho e disponibilidade; à RAQUEL DIAS e equipe pelo convite para o evento e por apostar no meu talento e disponibilidade para levar uma coleção à altura do #piauimodahouse; ao SEBRAE/PI por ser o patrocinador da minha participação no evento; ao MARTINS PAULO e toda equipe de produção de moda (Ruth, Mageca, Verônica, Juno, Dalite etc) que muito gentilmente estiveram à minha disposição, ajudando em tudo o que eu precisava; ao SÉRGIO DONATO que fez a trilha mais incrível que eu imaginei (depois conto os detalhes); a LUDMILA da SCHUTZ TERESINA que foi minha parceira fornecendo as sandálias mais lindas para compor o styling do desfile (em breve mostro tudo!); CAROLZINHA (da Make a Memory) por ter confeccionado os convites que viraram desejo na cidade; CADA UMA das minhas DEZ MODELOS: NAÍSSA, SARA, MILENA, GABI, HILDE, LAYSSA, GIO, ANDREIA, ANA DE PINHO e AMANDA por emprestarem suas belezas às peças com elegância e profissionalismo; ao DENIS COULTER e equipe que em tempo recorde conseguiram fazer a beleza que eu havia planejado para o desfile; DEKO pelas fotos maravilhosas (ansiosa!); EDUARDO pelo documentário (ansiosa 2) e CADA UMA das pessoas que tiraram um pouco do seu tempo para ir até lá, as que não foram mas torceram, vibraram, ajudaram, compartilharam e as que me mandaram MUITO AMOR de todas as formas: abraço, carinho, mensagens, snaps, emails, ligações, fotos, etc. Ao meu RICARDO por todos os tipos de apoio possíveis: psicológico, logísticos, financeiro, emocional etc. Muito obrigada, Deus!

Eternamente grata!

Sobre moda e seu papel na sociedade.

Uma das falas mais interessantes que ouvi nos últimos dias foi o discurso da professora Polyana Molina (@pollyanamolina) enquanto paraninfa da última turma de Design de Moda formada no Piauí pela Uninovafapi (instituição que dou aula). Amei tanto as palavras dela que pedi para publicar alguns trechos no meu blog.

Poly, obrigada por expressar tão bem a moda para as pessoas que não sabem o que ela significa.

steven meisel vogue italia

“Começo abordando uma inquietação, um questionamento constante…  partindo daquela máxima, que é comum se falar ou ouvir de que: O CORPO é a MORADA ou a ROUPA da ALMA, pergunto: ‘ENTÃO… DO QUE VOCÊ SE VESTE?’

Eu lhes digo: Vestimos muito mais que roupas e acessórios! VESTIMOS UM TEMPO, uma CULTURA, e devemos nos vestir, principalmente, de NÓS MESMO!!

E é por isso, que é PRECISO estudar esse vasto campo de atuação e SIM, de CONHECIMENTO, que é a moda … Isso mesmo, estudar.

Fácil é não levar esse assunto à sério. Sinto pena quando pessoas fazem a famosa pergunta: O que se tanto estuda nos cursos de moda?

Parece mais fácil relegar a moda ao supérfluo.

Será mesmo que é tão difícil de enxergar o vasto campo que envolve essa área? Não parece obvio que envolva, entre outras, as áreas de Economia, Antropologia, Sociologia e Comunicação?

E ainda parece, que só assim a moda ganha mais dignidade e credibilidade.

Thomas Carlyle*, uma vez disse: ‘tudo quanto existe, tudo que representa Espírito para Espírito, é propriamente uma Roupa, um Traje ou Vestimenta’ (…) Assim, nesse importante assunto das roupas, devidamente compreendido, inclui-se TUDO que o homem PENSOU, SONHOU, FEZ e FOI: todo o UNIVERSO exterior e que o que ele CONTÉM é senão VESTIMENTA; e a essência de toda Ciência reside na FILOSOFIA DAS ROUPAS.

Moda é um FENÔMENO do campo cultural! Têm significado, é representativo, é dinâmico, constante, têm memoria, ajuda a contar nossa história do presente para o passado, e também do passado para o futuro. É um fenômeno da nossa EXISTÊNCIA enquanto HUMANOS … e do TEMPO!

Essa aparente superficialidade acontece porque conhecemos a MODA pela projeção de uma IMAGEM SINTÉTICA, geralmente simplificada, por uma máquina. Máquina essa que tem, para esse assunto, ainda poucas lentes. A mídia. Conhecemos a moda através das lentes que ela possui, que não nos permite ver além do estético no prisma do certo e errado, bonito e feio… ainda bem, graças aos cursos e pesquisas, que isso vêm mudando…

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Vocês passaram semestres estudando para ajudar a ajustar essa viciada forma de exposição. É só variar a lente, e então, é possível enxergar com mais clareza e maior extensão : A vestimenta tem história tão antiga quanto o próprio homem, o seu processo passou do puramente manual e oficinal para o industrial. É resultado do SABER, e do FAZER. É necessário criação e planejamento, envolve trabalho intelectual e técnico, e ainda, promove a ideia básica de movimento de mercado : demanda e oferta : DESEJO e NECESSIDADE.

Essas muitas facetas é que dão margem aos estudos, ao entendimento de um processo social de consumo, de um processo social de construção de identidade. Pois sim, a roupa nos conta seriamente sobre isso.

A partir de agora vocês terão a vida toda, profissional, para exercitar a linguagem da IMAGEM de MODA que possa ser RELEVANTE.

Saibam… entendam, se não for RELEVANTE… Não vale. É inócuo. É sem sentido. É incompleto.

E se for sem sentido e incompleto, nos coloca diante de uma questão ainda maior: Gastamos tempo precioso em algo que não funciona … e TODOS PERDEM.

Daí entendemos que o TEMPO têm um movimento preciso! E a MODA, expressa isso com PROPRIEDADE!

Por isso essa eterna urgência. Parece que a moda é sempre vanguarda, mesmo quando é vintage.  É do final do século XIX e inicio do XX, os primeiros pensamentos sobre a moda no mundo capitalista e industrializado, a teoria da distinção social – vista como canal de ostentação do poder econômico das elites. Ainda hoje a moda é utilizada como prisma para o entendimento das bordas sociais.

É comum, ser pela roupa, que podemos classificar o que é válido ou não. A roupa tornou-se mecanismo dos esteriótipos. Com a pergunta ou a sentença do é fashion. Assim mesmo, no inglês. Fica mais bonito. É fashion.

No entanto a moda precisa de movimento, de circulação. Ela até pode começar em um pequeno grupo, mas precisa do movimento para tornar-se legítima. É na rua que ela existe. Na rua, vai do luxo ao lixo. O tanto de informação que a moda carrega, do consumo de bens ao consumo do simbólico.

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A importância social e econômica desse setor segue firme no século XXI. Nas palavras de Diane Crane*, ‘reconstruir as mudanças na natureza da moda (…) é um modo de entender as diferenças entre o tipo de sociedade que está lentamente emergindo’, e esse movimento é continuo e aparentemente cíclico.

É desse movimento que a indústria se alimenta para oferecer produtos de moda que personificam os ideais e valores de uma época e que espelham através das escolhas desses vestuários, os diversos grupos sociais.

É assim que usamos a moda como equivalente aos valores dominantes de uma época. Moda é ao mesmo tempo atemporal e temporal.

Então me atrevo a dizer: NÃO VENDAM FANTASMAS.

Mas sim, espalhem BENEFÍCIOS.

Pensem nisso quando forem VESTIR seu tempo. PENSEM. PENSAR NÃO É PERDA DE TEMPO.

E cada vez mais nesse mundo acredito que precisamos de pessoas que estejam dispostas a PENSAR. Que encontrem SOLUÇÕES. Que propiciem EXPERIÊNCIAS. Que PENSEM e que SINTAM.

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A vestimenta ajuda CONSTRUIR e EXPRESSAR nossas próprias VERDADES. Isso é um exercício diário e continuo, e necessário. E vai afetar diretamente sobre nossas AÇÕES, profissionais e pessoais.

(…) Hoje, DIGO a vocês, se EXPRESSEM VESTINDO-SE do seu melhor! SE VISTAM do MELHOR … no sentido, de serem INTEIROS, ÍNTEGROS, ÉTICOS, COERENTES, GENEROSOS … tenham IDENTIDADE PRÓPRIA, VONTADE e ACREDITEM!

Saibam que o que produzirem sera forma de expressão para os outros! NÃO ALIMENTEM FANTASMAS. Escolher aquilo que será grande, que terá peso, que te guiará, sempre será e te fará RELEVANTE.

Não se limitem às lentes difusas, no superficial do VESTIR. A IMAGEM, sempre é MAIOR e mais PROFUNDA do que aparenta ser.

Não tenho a pretensão de dizer a vocês o que deve e não deve ser IMPORTANTE em vossas vidas. Tenho comigo só a intenção de conduzir um raciocínio. O pensamento de que, NÃO VENDENDO FANTASMAS, NÃO ALIMENTANDO FANTASMAS, NÃO CONSTRUINDO suas VIDAS BASEADAS EM FANTASIAS E ILUSÕES midiáticas, seguirão por um caminho mais simples e VERDADEIRO, com maior chance de sucesso, prosperidade, e principalmente, a REAL FELICIDADE.

Porque no fim, digo a vocês : acredito que, SOMOS aquilo que SOMOS. No profundo do SER… no fundo dos olhos. Acredito que não somos EMPREGO, mas sim COMO trabalhamos. Não somos o que POSSUÍMOS, mas sim COMO usufruímos. Não somos diploma, mas sim o que SABEMOS e principalmente o que, e como, FAZEMOS.

E SER na verdade, já basta.

Mais uma vez, SE VISTAM DO SEU MELHOR! De DENTRO pra FORA! Isso é duradouro e legítimo! E sempre, mais BELO!

Meu DESEJO para vocês, na verdade é muito simples (…)

SEJAM INTEIROS. ESTEJAM DISPOSTOS. TENHAM COMPROMISSO e SE REALIZEM!

(…)

DESEJO acima de TUDO, que suas melhores ROUPAS sejam EXPRESSÃO do melhor de vossos ESPÍRITOS.”

* Thomas Carlyle (1795-1881) foi um historiador inglês da Era Vitoriana, publicou “História da Revolução Francesa”, um marco para a literatura romântica.

* Diane Crane é uma socióloga americana da atualidade e a autora do livro: “A Moda e Seu Papel Social – Classe, Gênero e Identidade Das Roupas”, que trata da história social da roupa. Através de suas pesquisas demonstra como sua função da roupa, de indicar status social, foi gradativamente alterada, nas sociedades contemporâneas, para a de fator de construção da identidade do indivíduo, mediante sua correspondência com valores que cada pessoa escolhe cultivar.

ph: Steven Meisel para Vogue Itália | Julho | 2012

Assinatura Rita.

Porcelana Vestível.

Alexander Mcqueen Falll 2011, peça inspirada no trabalho do artista chinês Li Xiaofeng.
Alexander Mcqueen Falll 2011, peça inspirada no trabalho do artista chinês Li Xiaofeng.

Indo em oposição à constante culpa que colocam sobre o Extremo Oriente acerca das cópias, vim mostrar uma borda criativa da China. A expressão Made in China nem sempre significa um produto imitação ou de baixa qualidade. É hora de se livrar da mente clichê e abrir os olhos para ver o que está acontecendo na arte contemporânea do Extremo Oriente.

Li Xiaofeng, nascido em 1965, é um artista de Pequim, que cria roupas temáticas de porcelana com cerâmica chinesa. Ao invés de mármore, madeira ou vidro, o artista prefere o uso de cacos de porcelana quebrada recuperados de antigas escavações arqueológicas. Para confeccionar as esculturas, ele corta as porcelanas, polimenta e faz a abertura de furos em cada canto, depois os unem através de fios de prata de modo a criar paisagens reorganizadas.

Vestido de Li Xiaofeng

Os cacos que ele usa são provenientes das dinastias chinesas tais como a dinastia Song (960 a 1279), Ming (1368 a 1644) e Qing (1644-1912). Dentro de suas obras existem vestidos, paletós e até t-shirts de cerâmica.

Em 2010, Li Xiaofeng foi convidado pela marca francesa Lacoste a criar duas camisas pólos diferentes para a série Holiday Collector 2010.  Além da peça em porcelana, ele também desenvolveu o design de um modelo em malha da famosa camisa pólo da marca.

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Depois de escolhidos os cacos, Xiaofeng moldou e poliu, como de costume, mas em vez de abertura de furos e ligação com arame, ele fotografou cada (251 polos dos homens e 304 para as mulheres) e colocou um por um no tamanho padrão digital da frente da polo, costas e mangas. Ele escolheu uma nervura azul escuro para a gola e mangas na polo dos homens e uma azul claro para as mulheres. O último toque foi a adição do logotipo da marca e o crocodilo branco, a raça mais rara em peças da coleção. A tal Porcelain Polo foi limitada a 20 mil peças, o que tornou o produto quase exclusivo.

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Uma outra referência importante da obra de Li foi a coleção de inverno 2011 da marca Alexander McQueen. A designer Sarah Burton levou para a passarela duas peças inspiradas no trabalho de Li. Além dos vestidos, as sandálias continham a técnica da porcelana vestível, característica do trabalho de Li.

Aqui no Brasil, a estilista Helô Rocha da marca Têca, também apresentou algumas peças com referências na arte de Li, em sua coleção apresentada na SPFW Verão 2014.

Li Xiaofeng já expôs seu trabalho com trajes de porcelana em diversas galerias na China e no mundo. Sua obras também já viajaram em turnês mundiais.

Eu adoraria adoraria adoraria poder ver de perto! Vocês gostaram?

Assinatura Paty.