Hello, Stranger! – Parte 3 – Da Estranha Vida Adulta.

 

Eu pulei a parte da adolescência e vim direto para a parte adulta. Não que eu não tenha me sentido estranha também nessa fase, mas é que hoje eu estou especialmente sensível para compartilhar a vida adulta. Bom, eu tive um pouco de dificuldade em aceitar essa parte por que eu não sei bem onde ela começou. Na verdade a pergunta que eu me faço todos os dias é: por que essa fase começou? Embora pareça estranho ou o desabafo de uma pessoa triste, posso afirmar com toda certeza que essa angústia “da meia idade” é mais comum do que muita gente imagina. Eu cresci. Por mais que eu pare e diga para minha mãe que quero voltar para o útero, não dá mais, infelizmente. A vida me chutou para o mundo ou o mundo me chutou para a vida, ainda não consegui definir e por mais legal que seja ser alguém hoje, ter o meu trabalho, minha vida, minha casa, meu mundo, eu vou te dizer com toda certeza: posso recomeçar? Posso voltar? Posso rebobinar a fita? Posso parar a fita? Odeio ser adulta, odeio a mala carregada de memórias e senso de responsabilidade e odeio ainda mais aquelas mulheres que rasgaram o sutien querendo ir para as fábricas trabalhar. Vocês estavam ficando loucas? Vocês já imaginaram o tanto de responsabilidade que vocês jogaram nos braços das mulheres no futuro? É, por que nessa história toda alguém esqueceu de dizer que aquela historinha da mulher dona de casa, esposa, mãe, nora, ela não seria suprimida, nem aliviada, o homem agora quer que além de ser tudo o que você já era, você também estude, trabalhe, fique rica, leve o carro para consertar, oriente a faxineira, decida o almoço, o jantar, diga onde estão as meias, esteja gostosa e quente toda noite e ainda monte a árvore de Natal. Pára, eu quero descer! Quando terminou a adolescência e começou a vida adulta? No primeiro ou no último ano da minha primeira faculdade? Na primeira ou na segunda faculdade? No noivado ou no casamento? Por que ninguém me preparou para largar a mala num lugar qualquer e começar a vida adulta do zero, com um marco. Adolescência não é preparação para nada, no máximo é uma lembrança de vidas passadas. Quem a gente era na adolescência? Eu abri uma empresa com vinte três anos. Isso me fez adulta? Eu me casei ano passado. Isso me faz adulta? Não imagino que eu tenha atingido o grau de maturidade que minha mãe tinha quando tinha a minha idade, duas filhas e um emprego. Onde estacionei minha evolução? Por que não consigo crescer? Por que demora tanto? Por que tudo passou tão rápido e ainda não chegou onde deveria chegar. Onde fica esse tal lugar onde está pendurada a placa: “Pegue aqui o seu pacote completo de estabilidade.”? Por que me questiono tanto? A pressão de dentro para fora já não é suficientemente maior que a de fora para dentro? Por que quanto mais estudo, menos sei de coisa alguma. Por que quanto mais eu sei, menos eu queria saber? Por que não estou mandando a vida catar coquinho e sendo feliz com todas as coisas boas que eu conquistei? Por que ter o meu coração protegido das tempestades não é só o que interessa na vida?  Quando o mundo deixou de ser o meu umbigo? Por que as relações interpessoais são vistas por olhos meus que não estavam aqui antes? Em que caixa eu coloquei os velhos olhos, os velhos ouvidos, as velhas expectativas? Por que não consigo voltar para a parte em que eu queria menos, logo menos frustrada eu ficava por que menos decepção com os causos da vida eu tinha? Por que é que quando eu finalmente consigo apartar meu passado do meu presente e alguém do futuro me dá a mão e eu não consigo existir meu presente? Seria a vida adulta aquela velha pressa da criança em virar adolescente? Estou atropelando meus estranhos vinte e tantos anos? Por às vezes acho que sou a única da rua, do bairro, do mundo que passo horas pensando nisso?

13 thoughts on “Hello, Stranger! – Parte 3 – Da Estranha Vida Adulta.”

  1. Rita, eu me questiono sobre a mesma coisa todo dia quando deito a cabeça no meu travesseiro. Quando eu virei adulta?!? quando eu me formei em publicidade (grande frustração)?!? O que eu vou fazer da minha vida?!? Eu tenho 24 anos, e o q foi q eu fiz de bom, de importante?!? Tantas mulheres da minha idade, já têm vida estável (o q elas acham ser estável), com filhos, marido, um bom emprego. Eu?!? Não tenho nada disso. O que as feministas estavam pensando quando decidiram q nós mulheres temos q ser iguais aos homens pra ter os mesmos direitos?!? Não vou mentir, adoro ser “dona de casa”. Lavar louça é terapia pra mim. Cozinhar (algo q aprendi há pouco tempo) é MARAVILHOSO! Tenho o maior orgulho em dizer, eu sei fazer, arroz, feijão, farofa, carne. Pra mim, triste, é uma mulher não saber fazer isso. Mas aí volta a velha história… Tem q trabalhar, tem que ter um bom emprego, não pode depender de homem nenhum. Porque senão vai jogar fora tudo q as mulheres demoraram pra conquistar. E, será q depois que eu conquistar tudo isso, minha inquietação vai passar?!? será q vou ser um adulta orgulhosa?!? ou vou continuar querendo voltar pro tempo de colégio?!? Desculpa o “texto”, mas me encontrei em cada palavra q tu escreveu, mesmo q meu questionamento tenha saído um pouco diferente do teu. E não imaginei q fosse encontrar um pessoa q tivesse esse “mesmo” tipo de “dúvida”. Te admiro muito, pq com os teus “poucos muitos” anos já conquistou muita coisa. Bjos.

  2. Passei tantas horas pensando nisso que acabei na psicóloga e no psiquiatra!Apaguei minhas angústias e lembranças com remédios e terapia pois elas não queriam sair da minha cabeça sozinhas.Você não é a única a se questionar sobre isso!!!
    Lindo texto!
    Bjo

  3. Acho que todos podem concordar com você, Rita. Esse é o grande mistério da humanidade: a insaciedade. Já dizia Freud: “o impossível é o motor do desejo”. Jamais conquistaremos a plenitude, GRAÇAS A DEUS! Às vezes, mas para sempre, o sonho do adulto é ser criança. E o sonho do amor é ser paixão. Um abraço!

  4. Rita, especialmente hoje o meu coração estava muito apertado, cheio de angústia e olha o que eu encontrei no seu blog! Amo quando vc escreve. Obrigada, pelas roupas lindas no meu closet e principalmente pelas palavras sempre bem colocadas.

  5. Aliviada por não ser a única a ter esses questionamentos .Tb já tive ódio dessas feministas! Tanta responsabilidade e tantas as cobranças que o lado mãe, esposa fica no segundo plano. Nunca estou satisfeita com as minhas conquistas, acredito que nem as tenho. Pessimista, não sei, saudade de ser criança, sei que não posso voltar, então rezo pra ter logo os 40 e sonhando com a estabilidade emocional, financeira. Bjs, curto bastante o seu blog.

  6. Me Vi Também…que engraçado, como sempre acompanho seus blogs e seus textos e em muito me indentifico, a gente sempre acha que algumas pessoas tendem a se questionar menos pq já adquiriu aquele pacote de estabilidade…tipo: amor, profissional(trabalhar com o que gosta), a independência financeira, etc…fico imaginando como podem existir pessoas que aparentemente não parecem se questionar, e transparecem muito certas de tudo…acredito que eles sempre vão existir adaptando-se a cada etapa e anseios novos, o x da questão é adminstrá-los de uma forma que nos traga mais auto-conhecimento e consenquentemente crescimento pessoal. E o bom é quando podemos trocar experiências com quem é capaz de entender esse processo.

    bjsss, sou sua fã.

  7. Sinceramente,você não é a única…e eu achei o máximo voCê ter conseguido expressar tudo aquilo que estava pensando há poucos minutos…

  8. Oi Rita,
    venho aqui no seu blog sempre, mas nunca comento, HOJE foi totalmente diferente, tirei um tempo para ler os “posts mais antigos” e me deparei com esse texto incrível. Parabéns!! Como muitas já disseram acima, vc conseguiu expressar todos os nossos questionamentos cotidianos…engraçado que sempre brinco dizendo: “O que que essas mulheres queriam se “revoltando” e querendo igualdade com os homens??” Mas, enfim, crescemos, todos crescem, o bom é que a vida (e a idade) passa para todos igualmente e no que eu acredito mesmo é que não podemos imputar ao outro a responsabilidade pela nossa felicidade, essa é tarefa nossa buscar…somente nossa!! bjs

  9. Bom, pra você ver como são as coisas e as pessoas, não é? Eu, cá com meus botões, jamais imaginei que uma pessoa como você passasse por esse tipo de questionamento. Não que eu achasse que você não tem problema, longe de mim, contudo sempre achei que sua vida é aparentemente tudo aquilo que você planejou e sonhou sempre. É engraçado como esse sentimento de instabilidade aproxima as pessoas em sua essência, é engraçado e até dramático saber que várias pessoas pensam da mesma forma e não tem a coragem de dar a cara a tapa como você, em seu espaço, em seu blog. Essa questão de identidade ou da possível falta dela em um determinado espaço de tempo de nossas vidas é, de fato muito aterrorizante, mas quer saber? Permita-se viver de presente, permita-se sempre lamentar o passado que não deu tão certo quanto gostaria, faça disso uma folha de papel em branco em que você pode reescrever a mesma história com o novo final, permita-se sonhar com um futuro bem mais baphônico do que esse tal presente que não está lá como você quer e;ou sonhou. Permita-se acreditar na mutação, na melhoria e no seu progresso pessoal, chorar o leite derramado não adiantará em muita coisa nessa altura do campeonato, não é? Espero que sua angústia passe, que apareça uma luz linda no final do túnel e que você seja ainda mais promissora, criativa e cheia de brilho. Acredito que assim como eu, todas as crianças/meninas/mulheres que acompanham seu blog tem esse mesmo desejo!
    Um beijo enorme em seu coração e tudo de bom nessa vida. 😉

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