Um milagre no Carnaval.

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Eu poderia falar que me apaixonei por você várias vezes antes. Nos dez ou quinze beijos que trocamos antes. Mas o milagre do nosso encontro realmente aconteceu num Carnaval. Eu me casei com você naquela manhã de Carnaval. Eu me casei com você antes que você soubesse, antes que eu dissesse sim, antes que eu falasse em voz alta. Eu me casei assim: em algum lugar de Recife, numa manhã nublada de Carnaval, com as minhas amigas me esperando para curtir o Carnaval em Olinda. E quase não caso. Quase não te acho, quase nem fui. No meio do caminho eu quase desisti, eu quase colocava todas as doenças do meu coração desesperadamente desacreditado na frente e quase nem ia. Quase descia do ônibus. Quase passei muito mal. Quase fugi na porta da Igreja nesse dia. Eu quase nem sabia que algo sobrenatural estava para acontecer. Por algum momento na viagem até quase nem te encontrei no Carnaval, sabia? Mas eu já tinha esquecido de que acreditava em milagres. E, quase que milagrosamente… eu disse sim! Meus olhos chorosos e meus dentes felizes, disseram sim antes que me coração percebesse o milagre. Milagre é quando algo sobrenatural interfere na razão. Até hoje meu raciocínio tenta desvendar que raio de mistério fez com que eu não te amasse todas as vezes antes. E que raio de amor é esse que só aumenta ao ponto de me provocar dores de cabeça ao tentar explicar? Não explico. Dentre todas as suas qualidades e todas as minhas perspectivas de um romance perfeito, eu prefiro acreditar em milagres. Temos seis Carnavais juntos e um milagre intacto. A mesma fé, a mesma surpresa, o mesmo sim, todos os sim, um peito explodindo, a razão segurando a porta da sala da nossa casa e todos os meus argumentos espalhados pelos lugares que já habitamos juntos. Não sei por que não aconteceu antes, minha cabeça dói de pensar por que raios não tivemos esse milagre nos corredores da escola? Nos encontros quando nossos corações estavam ocupados? Na quase viagem à Londres? Em Recife? Em Fortaleza? Em Teresina? Como pode ter certeza que no próximo Carnaval seremos três tentando descobrir? Quão inútil é querer explicar um milagre. Quão ingênuo é tentar fazer com que ele não aconteça.

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