eu carrego um sertão dentro de mim | making of + pós desfile

Antes daqueles cinco minutinhos de espetáculo muita coisa acontece por trás da sala de desfile. É no backstage que a apresentação toma forma. Modelos e maquiadores dividem espaço com produtores e assistentes de styling para fazer o desfile mais encantador do mundo!

making of
carinho pós-desfile

Não tenho como agradecer todo o carinho recebido nesse dia tão especial! Tantas pessoas lindas reservaram um pouco do seu tempo para ir até o desfile da coleção Eu Carrego um Sertão Dentro de Mim.

niver de teresina | estampa poty

Sou uma apaixonada por Teresina. Minha cidade tem mil defeitos, eu me sinto cada vez mais insegura aqui, mas é onde moram as pessoas que eu mais gosto na vida. Teresina é onde mora todas as minhas lembranças mais importantes e é onde fiz minhas principais amizades. Hoje ela faz 163 anos e eu resolvi relembrar uma das minhas estampas preferidas: a estampa Poty.

Estampa Poty.

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A história da Estampa Poty é bem emocionante por que tem haver com uma conquista importante na minha família: o veleiro Aragem. O barco que meu pai passou anos construindo no quintal de casa. Em 20 de abril de 2012 o veleiro viu a água pela primeira vez e, no começo de sua viagem até o mar, fui acompanhando a realização do sonho do meu pai com a minha câmera em punho.

Foi um dia inesquecível e que rendeu muitas imagens legais!

Essa é a imagem que originou a estampa Poty:

Original da Estampa Poty.

Olhando assim, a gente custa acreditar que é a mesma imagem, né? Depois de alguns estudos, ela virou estampa e logo em seguida desenhei três peças que foram bastante elogiadas por minhas clientes e amigas. Selecionei algumas imagens das peças que criei para mostrar para vocês.

Algumas fotos de Yuri Ribeiro, com o Vestido Poty, de tafetá com organza:

Algumas fotos de David Carvalho, quando usei meu Vestido Poty:

A maravilhosa Raquel Dias, apresentando o programa especial do aniversário de Teresina, há alguns anos:

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Algumas fotos do lookbook da coleção Aragem, onde surgiu toda a ideia das estampas, em 2013:

E, pra finalizar, a Amanda Romero em fotos que eu tirei na época da coleção:

É muito Amor, minha gente! Que fique esta homenagem a essa cidade quente! Afinal, a gente se veste para transitar nela todos os dias há muitos anos. Que seja cada vez mais bonita!

Estampa Poty.

Assinatura Rita.

Sobre roupas, modas e afins.

Fazer roupas tem sido meu ofício desde 2007. Num dia quente do mês de setembro decidi que iria passar o resto da minha vida vestindo as pessoas. Nesse meio tempo já estudei sobre as mais diversas vertentes dessa escolha, tentando entender e justificá-la para mim e para o mundo. Não satisfeita em só fazer as roupas eu busquei compreendê-las. Por que elas foram criadas? Por que elas estão sempre sendo modificadas?  Por que mesmo não estando mais na Pré-História, imbuímos na roupa um caráter protetor (como se ela fosse nos proteger das intempéries da vida moderna)? Protegemo-nos com nossas roupas. Protegemo-nos do julgo sobre elas. Nos divertimos com os recortes, enfrentamos o predador espelho. Na teoria da moda, muitos caras tentam explicar o caráter social da roupa. Caras como um francês que eu gosto muito, vêm falar sobre o surgimento da moda e me persuadir que a moda e a roupa nem sempre andaram juntas. E não andam. Costumo dizer para as minhas clientes que eu faço roupa. Estou dentro de uma cadeia industrial de moda que me permite que eu crie, execute, divulgue e venda a minha roupa. Não quer dizer que eu esteja girando na ciranda da moda. Minhas referências podem vir de modas de outras épocas, das roupas que eram usadas, de tecidos ou de um modo de ser que não necessariamente condiz com o que estamos buscando agora. O que estamos buscando agora é, no meio da moda, chamado de tendência. De tempos em tempos (e tempos cada vez mais curtos) esses conceitos de beleza, comportamento e bem vestir se alteram. Às vezes eles vão e vêm com tanta rapidez que a gente ainda nem doou aquela peça considerada “fora de moda”. Tenho um apego extremo a todas as peças feitas por mim nesses oito anos como designer de moda. Tenho um orgulho gigante quando alguma cliente diz que ainda usa uma peça minha de cinco anos atrás. Tenho muita sorte de ter sobrevivido à instabilidade do comércio e de ter me segurado forte a cada achocalhada fashion. Minhas roupas me protegem. Minhas roupas me perpetuam.  Elas me espalham no tempo e espaço. A cada cliente que olha, deseja e leva alguma criação minha, é como se nos duas tivéssemos estabelecido uma relação de sintonia. Daí essas coisas (as roupas) passam a ser símbolos dessa relação, dessa sintonia, dessa identificação que eu chamo de Amor. Amo o que eu faço por que é um trabalho infinito. Ele dura mais do que os cinco ou sete anos que a cliente me guarda no armário, ele dura todas as lembranças de felicidade e prazer das horas em que mesmo, sem saber, estivemos juntas.

Cliente Querida ♥ Marcela Reinaldo

Olá Meninas,

Vou fazer um espaço aqui no blog para looks de clientes queridas com peças do Atelier Rita Prado. E pra começar eu quero mostrar para você um vestido bapho que fiz para uma cliente usar no começo desse mês. A Marcela Reinaldo eu conheço do tempo em que eu ainda fotografava e fiz um book de noivado para ela e o marido. Tempo passou e Marcela já tem dois filhos, mas sempre que pode aparece no Atelier para fazer uma visitinha. Adoro!

Marcela chegou bem decidida sobre um vestido de madrinha, trouxe suas referências e passamos uns dias se falando sobre como seria, que cor teria, qual tecido usar e qual a modelagem perfeita para o seu tipo de corpo. Também escolhemos um estilo a seguir, que inspirou todo o resto do look: os anos 30. A época de ouro de Hollywood, época das divas, dos vestidos leves e de brilho, muito brilho! Adoro quando as clientes querem também uma consultoria, afinal, eu estudo tanto que eu tenho que aplicar isso no meu trabalho também 😉

Vamos ver O vestido de Marcela?

 

 

 

 

Desculpem as fotos de celular, é que tirei essas fotos no salão onde Marcela foi se arrumar. Esse vestido levou quase 300 botões além de uma renda maravilhosa toda bordada em pedraria. O tecido escolhido foi esse cetim na cor bordeaux, super rico! Marcela ficou super feliz e isso é sem dúvida a nossa maior missão.

Cada cliente imprime seu estilo pessoal na minha roupa e é tão bom como às vezes elas dão a sua própria interpretação de cada peça. Graças a Deus tenho um acervo enorme de fotos de clientes queridas e aos poucos vou mostrando todas e seu momento especial para mim. Vamos ver outro look bem recente da Marcela?

 

 

Olha só a Marcela com seu Top Joan Jett 😉 Amei! Ah, tenho muitas outras fotos de looks dela, mas vou postar na nossa Fanpage do Facebook (já curtiu?) . Além da Marcela tem looks de outras clientes para você se inspirar e para mandar o seu também 😉

 

 

Marcela, Linda e Feliz, e eu Realizada! ♥

Trabalho de Conclusão de Curso ♥ Faculdade de Moda

Estou no melhor momento da minha vida. O sonho da Faculdade de Moda, é algo bem antigo, bem antes de me formar em Direito e exercer a profissão de advogada. Sou formanda da primeira turma da primeira faculdade de Design de Moda do Piauí e isso merece um post mega especial no final de julho que é quando eu vou receber o canudo.

Essa semana encerramos nossas vidas acadêmicas na graduação de Design de Moda da Faculdade NOVAFAPI com a apresentação de dois dos trabalhos mais importantes que tivemos no decorrer do curso.

O primeiro trabalho foi o planejamento completo de uma coleção, que inclusive vou utilizar de toda a pesquisa feita para a nossa coleção de verão, que já começou a ser produzida no Atelier 🙂

O segundo trabalho era um projeto de moda. Uma mini-coleção com o tema Etnia. Cada aluno escolheria uma etnia para desenvolver o subtema, que no meu caso, foi a Inglaterra. A etnia inglesa há muito tempo me fascina, mas tudo começou com a melhor banda de todos os tempos, a inglesa, The Beatles. Assim, o tema da minha coleção acabou virando os 50 (cinquenta) anos do bom e velho rock and roll inglês cujos representantes levam a bandeira da nação aos quatro cantos do mundo.

Desenvolvi seis looks inspirados em seis bandas inglesas: The Beatles, Rolling Stones, Queen, Iron Maiden, The Cure e Arctic Monkeys. Cada uma na sua década, imprimindo sua atitude não só na música, como no modo de agir e vestir de fãs de todo o mundo.

Juntamente com a pesquisa das bandas, fazendo uso de todo material possível, de performances ao vivo a blogs de rua todos ingleses, associei o visual carregado do roqueiro à leveza da estampa polka dots, “a estampa de bolinhas” que invadiu os armários dos ingleses muito antes de vestir o resto do mundo.

Vamos ver os looks?

A primeira banda, a banda do meu coração, que me inspira todos os dias com suas letras e imagens dos muitos livros que não canso de repetir, foi homenageada com um terninho fofo, com spencer forrado de polka dots preto com branco, uma camisa de tecido branca e uma gravata, também polka dots. Nos pés, oxford e meia preta. A guitarra de feltro em forma de broche é criação da Chiquita. Para apresentação contei com a modelo exclusiva do atelier Amanda. Linda!

A segunda banda, os Stones, também entre as mais mais do meu coração, ganhou uma camiseta com uma releitura da famosa boca, uma echarpe atoalhada nas cores da bandeira do Reino Unido e uma calça preta skinny super baixa, como Mick adora. Nos pés tênis branco. A headband como o nome “London” é da Chiquita. Para apresentação, a irreverente Cafira, amiga dos tempos em que eu era modelo, que encarnou muito o espírito Keith Richards e divertiu a banca. Adorei!

A terceira banda, o Queen, está representado pelo visual physical que invadiu os anos 80, calça branca com listras vermelhas nas laterais, uma regata com um broche de coroa de feltro e um lenço no pescoço na estampa polka dots. Nos pés, All Star branco. Para apresentação, a elegante Ana Lu, encarnou o performático Freddie Mercury.

A quarta banda, o Iron Maiden, tem casaqueto e bermuda de couro com recortes drapeados na laterais e uma camiseta com a releitura do mascote da banda Eddie que teve suas bandagens estampadas de bolinha. O colar de guitarra e pérolas é criação exclusiva da Chiquita. Nos pés, uma bota de couro de cano médio, incorporando o elétrico Bruce Dickinson. Para nossa apresentação, a meiga Beatriz, transformou-se na ousada Alice Dellal.

A quinta banda, a gótica The Cure foi recebeu um look sombrio com uma camisa preta com detalhe em polka dots e uma legging drapeada. Nos pés oxford de couro alto. A banda foi representada pela modelo Renata que encarnou o visual Robert Smith, o avô dos emos.

A sexta e última banda que serviu de inspiração foi uma das minhas preferidas da atualidade, o Arctic Monkeys. Para compor um visual indie: uma camisa branca com botões pretos, um plush de veludo com capuz em polka dots e uma calça preta pespontada de branco. Nos pés, uma botinha de cano curto. A apresentação foi encerrada com muita atitude pela platinada Mara.

A apresentação teve como trilha a música mais rock and roll dos Beatles, Helter Skelter. E eu queria aqui agradecer à minha mãezinha que me ajudou na elaboração das peças, minhas costureiras queridas do Atelier Rita Prado, à Camila, minha assistente que quebra muitos galhos, às professoras Gisela Falcão, Katya Ferraz e Rimena Canuto pelo incentivo diário, às amigas e clientes que compareceram ou torceram, ao meu companheiro de todas as horas, Ricardo, a minha amiga Marielle, da Chiquita, que confeccionou os acessórios, às modelos lindas que participaram da apresentação e ao Denis Coulter e equipe mara, responsáveis pela beleza.