Projeto Identidade Local: Consultoria de Walter Rodrigues.

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Nessa minha nova fase, esporadicamente lançarei coleções. Esporadicamente mesmo. Do tipo só se der vontade. Se passar um vento muito forte e carregado de ideias harmoniosamente combináveis. O que não é raro de acontecer em gente que trabalha com criação. Mas este não será o meu foco. Tipo, espero a coleção me procurar e não o contrário, como tem acontecido ultimamente. Slow Fashion, um paradoxo que estou a fim de encarar, sobretudo no que diz respeito à parte ética da moda e à parte ética do meu umbigo. Em abril deste ano, quando decidi tomar esse rumo, Deus colocou uma pessoa fantástica na minha vida: o designer Walter Rodrigues. Deus e o SEBRAE, que me convidou para participar de um projeto incrível chamado Identidade Local. O projeto visa (tempo presente) explorar a potencialidades do nosso Estado na criação de produtos de design e artesanato, através da pesquisa no entorno e memória de cada empresa participante. Sou uma designer de memória, com uma pegada emocional, confesso. Mas a parte do entorno, na minha vida nunca foi explícita. Pelo contrário, nunca pensei em desenhar algo que falasse da minha região, de onde cresci, de onde passei todas as férias da minha infância. Nunca pensei em desenhar sobre o rio, sobre a minha casa, sobre o meu Piauí. E aí quando eu me afundava nas pesquisas nos meus álbuns de fotografia (hobbie às vezes deixado de lado pela correria do dia a dia), me aconteceu um “insight”: transformar em estampa fotografias das minhas recordações locais. Paralelamente a isso, em abril do ano passado fechamos um ciclo na minha família, que foi a primeira navegada do barco do meu pai, que eu contei aqui noutra ocasião. Essa foi uma das histórias mais inspiradoras da minha vida. E aí apareceu o Walter e para a minha surpresa, quando no nosso primeiro encontro na loja, eu apresentei as minhas imagens e as ideias que eu tinha para as peças, ele ficou encantado. É como se o guru da moda caísse de paraquedas no meio do meu pensamento e dissesse: Eureka! E foi assim e nos encontros seguinte acertamos sobre modelagens, tecidos, padronagens, sobre as famílias de roupas e sobre processos produtivos. A apresentação das peças se deu no começo do mês, na ocasião do Piauí Sampa, mas o trabalho em cima do que eu realmente quero/sou/estou continua intenso. Mais do que um trabalho, essa experiência foi a consagração de um projeto de autoconhecimento que começou ainda ano passado, quando passei quase um ano fora de casa e semanas inteiras vendo somente a mim, horas intermináveis conversando comigo mesma. A oportunidade de trabalhar e entender o processo criativo de um designer rico como o Walter não tem preço. Sou muito grata pelos ensinamentos e pela contribuição no meu trabalho e na minha vida. Posso dizer que realizei o sonho de muitos jovens designers que não fazem ideia de como o amor pelo trabalho nos aproxima.  A coleção já está no nosso álbum e aos poucos vou desmontando-a para explicar como seu deu cada peça e estampa.

ProjetoIdentidadeLocalWalter

Piauí Sampa 2010 ♥

Em 2007 viajei a São Paulo para participar do Piauí Sampa como fotógrafa do evento. Esse foi o meu primeiro contato com a cidade de São Paulo. Na ocasião, a ideia de ter um atelier de costura já existia, mas nunca imaginei que estivesse tão perto. O evento aconteceu na mesma semana do São Paulo Fashion Week e eu aproveitei para conhecer também o evento de moda mais badalado do país.

O evento começou com uma palestra da Catriona Macnab, editora de tendências da WGSN. Quando saí da palestra decidi que iria criar e vender roupas, pronto. Três meses depois desenhei, confeccionei e vendi a primeira peça de roupa Rita Prado.

Quase três anos depois, o telefone do Atelier toca no final de expediente. Era a diretora do Setor de Indústria e Confecção do SEBRAE Piauí, me convidando para levara marca Rita Prado para a sexta edição do evento Piauí Sampa, que leva as potencialidades do nosso Estado Brasil afora.

Essa foi a primeira vez que eu chorei de emoção com alguma coisa relacionada ao atelier. A importância desse evento, de não só mostrar o meu trabalho, mas também, de conhecer pessoas diferentes, reside principalmente no reconhecimento de um trabalho de formiguinha que eu tenho feito ao longo desses anos.

E aí que eu chorei e aceitei e menos de um mês depois estava no Shopping Eldorado mostrando a cara para o público paulista e recebendo em troca muito carinho, elogios e o principal, a troca de energias. É que São Paulo é um mundo completamente diferente do nosso, mas a minha linguagem foi facilmente absorvida por meninas que até então, nunca imaginaram existir um movimento de moda no Piauí e eu fui representá-lo.

Aqui eu queria compartilhar com vocês desse momento importante na minha vida e agradecer pelo honroso convite e pela oportunidade de conhecer pessoas tão diferentemente ricas.

Agradeço à equipe do SEBRAE Piauí, por acreditar que o meu trabalho pode representar o Estado lá fora. Agradeço às meninas que expuseram seus trabalhos junto comigo, em especial à Deurismar (Deura Melo Bolsas), Márcia e Marcilene (Cravo e Canela), Surlene Almeida e às meninas da Fil à Fil, que foram verdadeiras parceiras durante o evento. Agradeço à Sueli, paulista que foi nossa vendedora nota dez no evento e a Dona Olga, senhorinha fofa do backstage. Agradeço aos piauienses super queridos que agora são ainda mais queridos por terem ido prestigiar o evento e matar um pouco da saudade da terrinha. Agradeço às meninas paulistas que foram, compraram, levaram  as amigas, elogiaram o trabalho, teceram críticas e me ajudaram muito a crescer profissionalmente. Adorei ter conhecido todas vocês. E o meu agradecimento-mor é para o meu companheiro Ricardo, que foi só dedicação a mim e as outras expositoras e me mostrou o verdadeiro significado do Amor.

Essa foi uma experiência profissional e humana incrível e eu espero fazer cada vez melhor o meu trabalho.

Vamos ver as fotos?